Erydia
Olá viajante!

Seja bem vindo à bela cidade de Erydia. Você acaba de pisar em solo Erydiano, e está a um passo de se tornar um de nós.

Tudo que precisa fazer é se cadastrar, escolher um Clã para se juntar de acordo com a sua personalidade e depois é só se divertir!

Nesse mundo onde a magia e as criaturas fantásticas são reais, emoção, aventura e principalmente fantasia farão parte da sua história. Crie um personagem, faça dele um herói e acima de tudo: Divirta-se!



 
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 Wonderland

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AutorMensagem
Alice Liddel
Líder de Garwen
Líder de Garwen
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Idade : 18
Moedas : 3740

Ficha do personagem
Habilidade:
12/12  (12/12)
Energia:
20/24  (20/24)
Sorte:
7/12  (7/12)

MensagemAssunto: Wonderland   Ter Nov 28, 2017 11:50 am




“Que ideia! Uma maluca, insana e maravilhosa ideia!” 
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Alice Liddel
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MensagemAssunto: Re: Wonderland   Ter Nov 28, 2017 12:27 pm

Alice sentiu que estava quebrando. Ela sentiu como se alguém tivesse atravessado seu coração com uma espada vorpal, como se tudo que existisse dentro dela e de sua cabeça estivesse morrendo. E estava. 


Ela já havia chegado a Wonderland sem perceber, por vezes pega de surpresa, mas nunca, nunca havia sido levada lá à força. Aquela fora a primeira vez. Ela não queria se refugiar dentro de sua própria mente, pelo contrário. Ela só queria correr e ir pra casa


Mas aquela era sua casa. A única que poderia considerar sua. 


Ela chegou trazida por um enxame de mariposas negras, que tentavam tomar conta dela, andando por seus olhos, caminhando pela sua boca, rastejando sob seus cabelos. Elas a deixaram sobre o gigantesco tabuleiro quadriculado, e Alice tossiu algumas que haviam tentado voltar para dentro. Fazendo força, elas saíram, bem como um líquido cor de chá, misturado a grandes letras que se organizavam em frases desconexas, lembrando poesias que, hoje, doíam ao serem recitadas. 
Ela se levantou com dificuldade, e olhou para cima. Com seu olho quebrado como se fosse o olho de vidro de uma boneca, ela viu que uma enorme tempestade mista de negro e vermelho se formava logo acima de Wonderland, lançando raios e retumbando com trovões. Um vento forte moldava o mar, e a corrupção começava a tomar forma. Não havia ninguém conhecido ali. 
Não havia Chapeleiros nem Lebres de Março nem Caxinguelês. Não havia Tartarugas nem Dodôs. Havia apenas as ilhas flutuantes despencando dos céus, os raios quebrando colunas, estátuas e construções. Havia gritos desesperados vindos de toda a parte. 


E havia uma porta. 


Era uma porta que Alice conhecia bem. Feita de metal cinza escuro, com varias trancas e barras, apenas um símbolo pintado em tinta preta: Ω


Aquela era uma porta de Broadmoor. Era a sua porta. Ela estava em pé, sem apoio de paredes, sem dizer para onde ia. Mas através da pequena janelinha, só havia escuridão. Escuridão negra como piche. 
Ela ouviu uma risada baixa vindo lá de dentro. Ela se lembrou da risada que ouvira enquanto caia, e estremeceu. 


Alice se afastou da porta, se ajoelhou e começou a chorar. Ela chorou porque sentiu uma dor muito maior que qualquer dor física. 


“Apenas... fique longe de mim...” Ela ouviu Victor dizer. 


Seu peito doeu, doeu muito. Ele havia despedaçado a confiança de Alice quando colocou em xeque sua sanidade. Quando a questionou, quando a humilhou e a diminuiu. 


Ela sentiu algo dentro de si se quebrando, e negou com a cabeça. Chorava profusamente e a dor não ia embora. 


- Não... - Ela gemeu, com dor. 


- Eu não quero! - ela arranhava o colo desesperada, como se quisesse abrir sua caixa torácica e arrancar algo lá de dentro.


- Não! - Ela gritou, batendo um punho fechado no chão, e por um momento tudo ficou preto e branco, exceto pelas mãos de Alice, que pareciam ensangüentadas, mas isso só durou um momento. 
Ela ouviu a porta se destrancando e se virou para olhar. Ela se abriu lentamente e a escuridão olhava Alice como um caçador olha uma presa. Ainda de joelhos, a garota clamou: 


- EU NÃO QUERO SENTIR ISSO!! ARRANQUE-O!! ARRANQUE-O DE MIM!!! 


Alice chorou e soluçou até que uma musica delicada tocou, vindo da escuridão atrás da porta. Ela se levantou devagar, ainda soluçando, e entrou no breu. Ela caminhou apenas para frente até chegar a um holofote, onde estava uma caixa. A caixa tinha uma manivela ao lado, que girava enquanto a melodia tocava. O mesmo símbolo da porta estava gravado dos lados da caixa, e Alice observou apreensivamente enquanto a melodia se desenrolava. O Jack in a Box era o único brinquedo disponível em Broadmoor, e Alice havia ido para lá com apenas seis anos. Jack havia se tornado seu único amigo, já que os médicos a proibiram de ir para Wonderland. Eles estavam juntos o tempo todo. 


Jack acordava Alice para brincar 
Jack contava segredos para Alice 
Jack fazia sua risada engraçada para Alice 
Jack mostrava a Alice passagens secretas
Jack amava Alice 
E Alice amava Jack


Mas Jack fazia coisas ruins também. 


Jack contava os segredos dos guardas e das enfermeiras no quarto de serviço 
Jack roubava pequenos objetos e colocava a culpa em Alice 
Jack assustava Alice, pulando de sua caixa. 
Jack gritava quando Alice estava dormindo e não deixava ela cair no sono outra vez 


Jack era malvado. Mas nos dez anos que passara em meio à podridão e a sujeira de Broadmoor, Jack foi seu único amigo. 


- Olá Alice. - uma voz esganiçada chamou, e ela só viu duas bolas brilhantes encarando-a da escuridão. 


- Jack? - ela parou de soluçar, e estava com medo. 


- Você ainda se lembra de mim? 


Ele perguntou, e Alice sentiu algo muito ruim, como se sua vida estivesse correndo perigo. Mas é claro que não poderia ser esse o caso, pois Jack era seu amigo, apesar de conseguir ser malicioso de vez em quando. 


- Sim, eu me lembro. O que está fazendo aqui? - Um dos motivos pelos quais Alice havia deixado Jack para trás era que ela nunca havia permitido que ele entrasse em Wonderland. Ele havia ficado furioso por isso.
O palhaço lentamente caminhou até a beira da luz, onde parte de seu rosto ficou à vista, sob aquela luz estranha. 
Ele sorria, como sempre, seus dentes finos e amarelados dando um ar macabro à sua maquiagem preta e branca. Ele passou uma língua vermelha lentamente pelos lábios antes de responder à pergunta. 


Um amigo sempre sabe quando outro amigo precisa de ajuda... nao é? 
Alice não gostou daquilo, mas a dor no peito piorou. Ali, era realmente uma dor física, além da mágoa que sentia por Victor. 


- Jack pode fazer parar, sabe? - ele ofereceu, sua voz aguda falado baixo. 


Como? - Alice perguntou. 


- Bem, como um dente podre, se está doendo é só arrancar que para de doer, não é? 


Ele disse, mais uma vez molhando os lábios, uma saliva escura e viscosa gotejando de sua boca. 


- Ele me machucou tanto... 


- VOCÊ FOI BURRA! - ele rebateu, a voz ficando grave e o rosto se deformando por alguns milissegundos. Alice deu um pulo e alguns passos para trás, assustada. Em seguida o palhaço se desculpou. 


- Não, não fuja... sabe, é que Jack já sabia que ele ia fazer isso. Se você tivesse perguntado para Jack, Jack teria lhe falado. 


- Absolem me disse. 


- ABSOLEM NÃO ESTÁ AQUI. - a voz se engrossou outra vez mas, ele não gritou tão repentinamente. - Mas Jack está. - ele deu uma risadinha, voltando ao “normal”. 
Ela não percebera, mas atrás dela, a porta já estava fechada pela metade. 


Abandonada, quebrada, humilhada. Não havia ninguém mais em quem ela podia confiar. Então resolveu confiar em Jack. 


- Jack promete ser cuidadoso. Eu vou tirar como um curativo... Pop! E você não vai nem perceber que já se foi. 
A respiração de Alice estava irregular, e ela tremia. Ela não podia se sentir tão mal se não pudesse sentir, nao é? 


Música da Caixa:
 



Ela se aproximou lentamente da caixa, se ajoelhou na frente dela e continuou fazendo a manivela girar. Ela olhou para o palhaço, em pé, a encarando, o mesmo sorriso malicioso nos lábios finos pintados de preto. Ela olhava para a caixa, esperando que acontecesse logo. Jack voltou para a escuridão, e começou a cantarolar a canção e a dançar. 


- ‘Round and ‘round the cobbler’s bench, the CAT chased the weasel! The CAT thought ‘twas all in fun, POP! Goes the weasel! 


Alice continuava a girar a manivela, cada vez mais rápido e ele continuava a cantar e dançar. 


- Every night when I go out, the CAT is on the lookout! Take a chance and KNOCK HIM OUT! POP! Goes the weasel! 


Alice tinha certeza que aquela letra estava errada, mas já não conseguia parar de girar a manivela. A música era quase impossível de acompanhar e Jack gargalhava e cantava, sua voz se alterando entre o agudo e o grave, e ele começou a se desfazer em piche negro que se juntou à escuridão. Alice gritou, mas a porta já estava fechada. Seu braço girava a manivela freneticamente e o piche ao seu redor borbulhava, até que... 


POP! 


O corpo esguio do Jack in the Box se arremessou com força e velocidade, atravessando o peito de Alice, quebrando-a como se ela fosse apenas uma casca oca. 
Ela sentiu o primeiro puxão, e apertou os olhos de dor. Um grito escapou de sua boca. O segundo puxão foi mais forte, mas não tão repentino. Ela apenas apertou os lábios e procurou respirar. 
Lentamente o Jack deslizou para fora com algo entre os dentes finos e pontudos. Duas partes de um lindo coração de cristal rosado, cujo brilho interno vacilava sutilmente. Alice respirava pesadamente. Quando a menina estendeu a mão para pegar o cristal, Jack o engoliu. 


- Por que você fez isso?!


- Você não vai precisar mais disso. 


Como mágica, a dor se desvaneceu lentamente e Alice parou de chorar. Ela já não sentia mais dor. Ela já não sentia mais nada. O piche começou a sair da pequena caixa e a inundar o local, circundando Alice. Ela começou a perder a cor, e o piche começou a subir pelos seus dedos, pelos seus braços e por todo o corpo. Ele se infiltrou no buraco em seu peito, roubando seu eu, corrompendo-a. A melodia continuava a tocar enquanto toda a Wonderland la fora era demolida, contaminada, corrompida. 


A escuridão se dissipou. 


Seu vestido era branco, suas mãos estavam ensangüentados até os cotovelos. Ela segurava a pequena caixa nas mãos. Lágrimas de sangue escorriam pelas sua bochechas, os olhos eram globos vermelhos. No peito, o buraco permanecia vazio. Seus cabelos brancos eram decorados com uma coroa de vidro negro. 


ALL HAIL QUEEN ALICE





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