Erydia
Olá viajante!

Seja bem vindo à bela cidade de Erydia. Você acaba de pisar em solo Erydiano, e está a um passo de se tornar um de nós.

Tudo que precisa fazer é se cadastrar, escolher um Clã para se juntar de acordo com a sua personalidade e depois é só se divertir!

Nesse mundo onde a magia e as criaturas fantásticas são reais, emoção, aventura e principalmente fantasia farão parte da sua história. Crie um personagem, faça dele um herói e acima de tudo: Divirta-se!



 
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 Necrotério

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MensagemAssunto: Necrotério    Dom Nov 26, 2017 1:17 pm

“O cheiro de produtos químicos maquiava muito bem o cheiro de cadáveres em decomposição. O silêncio imperava naquele templo à morte.” 


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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 2:45 am

Já fazia muito tempo que ele estava ali. O Necrotério era uma sala fechada em que a luminosidade se dava apenas pelos lampiões estrategicamente pendurados no teto e sobrepostos aqui e ali, de modo que o aspecto lânguido do lugar era imutável, onde não se sabia se era dia ou noite.
Cada necrópsia geralmente durava de quatro a oito horas, mas Victor sequer tinha noção de quantas horas passara ali, mas sabia que havia sido tempo suficiente para que suas roupas e seu cabelo fossem impregnados pelo cheiro dos produtos químicos e, em compensação, o recinto esbanjava claramente aspectos de sua estadia prolongada. Haviam livros de poesia sobrepostos aos de anatomia e vice-versa, seringas gotejando morfina aqui e ali, além de que suas ferramentas não estavam propriamente arrumadas como costumavam ser, de modo que escorriam para fora de sua maleta de couro e abarrotavam-se pela mesa principal. Um amontoado delas estavam sujas de sangue, mas ao menos estas estavam devidamente separadas das limpas e brilhantes. No canto da sala, duas cadeiras que deveriam servir para dois médicos na verdade se uniam, formando um modelo mais comprido e improvisado, o par perfeito de encosto e apoio de pés.
A impressão que dava é que Victor havia virado a noite ali.

Ele havia acabado de terminar a análise de uma criatura mística, morta pelos guerreiros e transportada para estudo, e anotava as conclusões finais numa prancheta antes de destacar a folha de papel para em seguida arquivá-la numa das grandes gavetas, deixando, a seguir, o objeto de análise de lado, cobrindo-o novamente com um grande lençol manchado de vermelho.
O doutor voltou-se a seguir para uma maca metálica que fora trazida até ali apenas alguns minutos atrás por um enfermeiro. Na etiqueta por cima do corpo, ele leu, além do nome do morto e detalhes sobre sua vida e profissão, a causa mortis foi o que lhe chamou atenção: "Assassinato".
Estremeceu. Ele não se importaria, mas havia lido a mesma coisa num outro cadáver, uma mulher, há menos de uma quinzena atrás, o qual a examinação lhe rendeu uma insônia repleta de paranoias.
Por isso, ao aproximar-se do corpo, erguendo as mangas de sua camisa, antes mesmo de puxar o pano, ele já sabia o que o aguardava.


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A princípio pôde deduzir muitas coisas. Diante do corpo masculino, um senhor de meia idade, jaziam indícios de que seu assassinato fora no mínimo traumático, nem tão rápido, nem tão demorado, de modo que seu maxilar estava retraído em medo e os olhos congelados, eternamente dilatados. Dermatite nas mãos e pés, provavelmente uma desidratação profunda por muito contato com a água salgada, o que com certeza bate com o trabalho de marinheiro descrito na ficha...
E uma estranha, pesada e grossa marca de dedos em seu pescoço...
Victor engoliu em seco. Inconscientemente, ele levou a mão destra até o próprio pescoço, tocando-o por debaixo da gola da camisa, sentindo uma dor muito incômoda naquela região. Se olhasse no espelho, retirando a roupa, ele tinha a mesma marca daquele cadáver... e, como acreditava veemente, porque conhecia cada centímetro e tamanho daquela mão criminosa, sua marca havia sido feita pelos mesmos dedos...
Suspirou profundamente. As olheiras inchadas ao redor de seus olhos pareciam ainda mais vermelhas aquele dia. Seu rosto parecia mais cansado, igualmente, mas Victor não se ateve a nada mais disso.
Agarrando um bisturi de seu estojo, ele aproximou-se do corpo, tirando, no processo, seu relógio de bolso.
O relógio prateado, ricamente enfeitado com veludo vermelho e grandes números dourados... a superfície do objeto estava rachada, de tal forma que ele não mais conseguia distinguir as horas quando elas passavam das 6 e iam até as 12, sequer podia enxergar os minutos. Ao analisá-lo, ele também desconfiou que os ponteiros haviam parado de vez.
Seu olhar não podia ser mais ressentido, como se ele quisesse pedir desculpas ao alguém que não estava ali.  


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No segundo seguinte, entretanto, ao guardar novamente tal objeto, ele inclinou-se sobre o cadáver em questão, pronto para fazer um corte em T, afim de começar a necrópsia quando ouviu a porta do Necrotério ser aberta. O enfermeiro de antes adentrou-a, olhando-o com certo esmero.

- A Guarda está trazendo uma situação meio complicada para você, Doctor. Talvez queira olhá-la primeiro. Cada pedaço.

Victor parou o movimento cirúrgico que estava prestes a executar, inclinando a cabeça, tornando a se afastar de tal corpo.

- Bem, deixe-os entrar.

Com uma afirmação de cabeça, o enfermeiro tornou à entrada, enquanto Victor largava o bisturi, recostando-se brevemente na mesa atrás de si.


Última edição por Victor Frankenstein em Seg Nov 27, 2017 10:07 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 3:27 am

Alice seguiu o grupo até a enfermaria, e pela primeira vez desceria ao necrotério, algo que ela na verdade não estava muito feliz em fazer. Conforme indicado pelos enfermeiros do local, todos os que presenciariam a autópsia deveriam higienizar as mãos e os braços (ainda que não fossem ter nenhum contato com o cadáver), prender os cabelos e usar um avental de couro escuro. 


- Ufa! Pelo menos aqui é bem fresquinho né? - Lorelei tentou fazer qualquer conversa fiada enquanto desciam and escadas, para disfarçar o medo. Fora as duas, apenas mais um oficial estaria presente na autópsia, e ele também não parecia muito confortável. Alice parou nas escadas, observando os dois homens entrarem no necrotério levando a maca com os pedaços encontrados. 


- Se quiserem, podem esperar lá em cima. Não deve ser algo fácil de se ver. - Alice disse, sempre parecendo muito corajosa. 


Lorelei olhou nervosamente para o oficial, e ele se desculpou profusamente com Alice. Disse que tinha estômago fraco, e que provavelmente atrapalharia mais que ajudaria, e sem perder tempo subiu as escadas, rapidamente como os dois homens que levaram o corpo para dentro. 


- Lori? - Alice chamou pelo nome mais informal, pois as duas também eram amigas. 


Lorelei estava nervosa e mexia sem parar em seu bloco de notas. Ainda assim, ela respirou fundo. 


- Vou com você, Alice. 


Elas trocaram um sorriso e logo entraram no temido cômodo. A primeira coisa que Alice notou foi o cheiro. Forte, quase nauseante. O lugar mal fora aberto e já estava uma bagunça, foi a segunda coisa que ela notou, não que fosse uma pessoa das mais organizadas. Mas a terceira e mais importante coisa a se notar, foi a silhueta magra e elegante, as roupas um tanto desalinhadas, os cabelos lisos e curtos. 


- Doctor! - Lorelei disse, e logo estendeu a mão. - Os homens trouxeram a mais nova vítima do assassino, nos viemos assistir a autópsia. Sou Lorelei Hopkins, e esta é a Chefe da Guarda, Alice Liddel. 


- Nos conhecemos, Lorelei. - Alice disse, e sorriu. Ela sabia que aquele não era o melhor momento para fazer o que queria, então se conteve e apenas fez um cumprimento de cabeça ao Doctor. 


- Como está, Victor? - Perguntou, um pouco casualmente, as mãozinhas ainda escondidas atrás do corpo, o vestido azul coberto pelo pesado avental de couro. Seus cabelos presos com uma fita preta em um rabo de cavalo. 


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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 5:13 am

As rodas da maca arranhando o piso chamaram a atenção do doutor, que por sua vez apenas observou seu mais novo subject ser conduzido até o centro da sala. Ele correspondeu ao cumprimento dos dois homens com um simples aceno de cabeça antes de vê-los se afastarem, deixando-o a sós com o cadáver... ou o que restara dele.

Um braço, duas pernas, uma sem o pé, tórax em avançado estado de decomposição e uma cabeça com metade do pescoço, completamente irreconhecível pelo inchaço.
O cheiro daquele corpo seria no mínimo insuportável, como mil peixes mortos e podres, mas a própria sala e seus químicos executava bem o trabalho de torná-lo apenas nauseabundo, odor que Victor já estava mais que acostumado.
Ele aproximou-se da cena desmembrada, mas a porta foi aberta mais uma vez, chamando sua atenção.
Foi inevitável que seus olhos se arregalassem, como se ele encarasse a verdadeira tragédia se movendo alegremente em sua direção e não na maca, imóvel e gelada ao seu lado. O susto que pessoas comuns teriam ao verem cenas grotescas como aquelas, Victor esboçou, silenciosamente, ao ver Alice, como se o peso na consciência fosse equivalente.
Ele passara a noite inteira com a imagem dela na cabeça. Vê-la tão repentinamente(mais uma vez) foi um certo choque.
No entanto, ele disfarçou isso, voltando-se à garota que ele não conhecia, olhando um pouco torto para a mão desta quando ela a estendeu.

- Nós deveríamos evitar esse tipo de contato aqui embaixo.- ele disse e, de tal forma, não retribuiu o cumprimento, olhando-a um tanto seriamente a seguir.- Eu sou o doutor Victor Frankenstein.

Ele passou os olhos por Alice. Passou, porque não os demorou nela. Não poderia correr esse risco. O que estava prestes a fazer já era difícil o suficiente. Seus lábios tremeram, pois viram o sorriso dela, mas ele não o retribuiu.

- Bem, obrigado, Mrs.Liddel.- a resposta veio de maneira esporádica... e nada além de casual. Do jeito que ele falou, até parecia que Alice estava mentindo sobre eles se conhecerem.- Se vão assistir, deveríamos começar logo... embora eu ache que não vá demorar muito, de qualquer maneira.

Comentara olhando para os míseros pedaços de corpo e, num pigarreio, aproximou-se deles. Ele analisou-os, um a um, a princípio.

- Equimose e escoriações por todos os membros, edema no tecido celular, abrasão na parte interna das panturrilhas e extremidades como sinal de que o corpo foi arrastado e, é claro, visível estado de putrefação acentuada, o que quer dizer que a maioria das partes que se desprenderam do corpo não foram completamente arrancadas, mas feridas o suficiente para se segmentarem diante do contato com a água do mar e a anasarca.- seu tom de voz era frio, como se ele simplesmente listasse a lista de compras. Com muito cuidado, o doutor segurou a cabeça, virando-a na maca cautelosamente até que, com a outra mão, aparou-a com uma bandeja metálica, afastando-se do centro da sala e levando a parte do corpo consigo até colocá-la sobre a mesa de observação, única superfície completamente livre do local - casualmente manchada aqui e ali com sangue seco.- Estão encarando isso como se fosse assassinato?- ele indagou, como se já soubesse da resposta e, antes de mais nada, disse:- Pois deveriam.

Ele sentou-se na cadeira à frente da mesa, pinçando um bisturi. Do início do couro cabelo, de uma orelha à outra, o corte foi preciso, sem tremelicar o mínimo que fosse. O mais estranho foi o barulho da pele rasgando: não foi silencioso ou melado.
O som era agudo e baixo, como uma bexiga que lentamente secava, como se cortasse borracha. Imediatamente, o tecido muscular e o sangue, ambos completamente escurecidos e aguados demais, fizeram-se à mostra, o que já poderia ser muito para o estômago de um dos mais destemidos.
O pior foi quando o couro cabeludo se desprendeu da cabeça e o crânio amolecido, melado, se fez à mostra.
Agarrando outra ferramenta, Victor a fincou no crânio de maneira suave, e em seguida a direcionou na diagonal, fazendo com o osso rachasse como uma casca de ovo e em seguida, com um pequeno estrondo, saltasse brevemente com um barulho molhado e tosco ao mesmo tempo que uma espuma sanguinolenta escorria pesarosamente.
O cheiro que subiu daquilo foi simplesmente... insuportável.
Frankenstein ergueu brevemente as sobrancelhas, mas não demonstrou qualquer alteração além dessa.



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- Acúmulo de gases no tecido conjuntivo... isquemia. Pode ter sido causada pela infiltração de líquido que obstruiu os vasos sanguíneos ou por... asfixia.- ele lançou um olhar por cima do ombro, fitando especificadamente o tórax ainda na maca, e voltou seu olhar à cabeça em suas mãos, largando as ferramentas e pinçando dois bisturis limpos.- Os pulmões estão inflados, mas a asfixia que causou a morte não foi pela água.
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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 6:04 am

Mrs. Liddel



Mrs. Liddel 


Mrs. Liddel 




Alice sabia que estava provavelmente reagindo exageradamente. Victor provavelmente não gostara de ser interrompido no trabalho, e ele estava no seu direito. Ela procurou entender. Felizmente Lorelei estava distraída demais com a aparecia bizarra da maioria dos objetos na sala, e não percebeu o pigarros nervoso ou a engolida em seco de sua Chefe. 


Com as duas observando a uma distância não exatamente confortável, ele começou o procedimento. Lorelei anotava freneticamente em seu bloco de notas enquanto Alice observava tudo com atenção em silêncio. Elas o seguiram para a mesa de observação, e Lorelei sacou um par de óculos de armação dourada do bolso para ver melhor. 


- Sim, estamos. 


Quando ele perguntou sobre como a Guarda estava encarando este crime, Alice foi quem respondeu, já completamente absorta nos detalhes do exame. Lorelei tossiu desconfortavelmente, ficando um pouco atrás de Alice, que sem tirar os olhos do cadáver por um momento, lhe estendeu um lenço branco para colocar sobre o nariz. Ela parecia concentrada como Victor provavelmente nunca a vira antes, e não pareceu ter nojo ou medo do morto, parecendo nem mesmo incomodada com o cheiro de formaldeído ou mesmo o cheiro disfarçado de putrefação. 


- Alice, não está... sentindo esse cheiro? - Lorelei perguntei, mal conseguindo se expressar. 


- Eu estive em Broadmoor por dez anos. - Ela tinha uma expressão fechada agora, por conta de estar concentrada, ou talvez estivesse tentando manter-se firme ao revelar aquele tipo de informação a Victor. Ele saberia, uma vez que também veio da Inglaterra, que Broadmoor não era apenas um asilo para os loucos. Era o maior e pior asilo de segurança máxima da Bretanha, que abrigava os mais violentos psicopatas e outros doentes mentais, e expunha seus pacientes a varios tipos de torturas, tratamentos psiquiátricos experimentais, uso de químicos, hidroterapia, e sabe lá Deus mais o que. 


Lorelei teve ânsia de vômito e saiu correndo assim quebro cheiro pútrido subiu da cabeça, e Alice ouviu atentamente a análise do Doctor. 


- Não, não foi água. - Ela pediu licença e pegou um par de pinças, puxando e expondo a pele do pescoço que possuía as marcas de dedos para Victor, já que Lorelei havia corrido e agora vomitava em algum balde lá fora. 


- Esganamento. Assim como os outros. Aparentemente sem nenhuma conexão entre si, mas este certamente não é o caso. - ela observou, colocando a pinça no lugar. 


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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 6:53 am

Mais uma vez, seus olhos se arregalaram. Se houvesse alguma coisa mais expressiva em Victor, eram eles, e foi assim que ele reagiu ao ouvir o nome Broadmoor. É claro que o cientista conhecia o termo. Não só pela fama tremenda e sinistra daquele local, mas porque possuía um amigo da faculdade que trabalhava lá. Eles haviam perdido o contato há muito tempo, mas da última vez que soube do Dr.Jekyll ele estava com um grande laboratório totalmente dedicado à testes e experiências com a psiquê humana... naquele asilo.
Por Deus... Se se aquela menina havia passado dez anos naquele inferno, Victor sentiu uma extrema vontade de abraçá-lá, por mais que ela não demonstrasse fraqueza alguma, ele jamais poderia imaginar ela naquelas situações... naquele lugar...


Ele não esboçou reação ao ver a outra correr para fora da sala, sinceramente já esperava por isso. Ainda assim, depois de toda a explicação de Alice, de seu empenho com a pinça, o qual Victor assistiu imóvel, sem impedir, o doutor apenas encarou a marca no pescoço deformado da vítima, sentindo dedos fecharem ao redor do seu próprio.
E então, sem olhá-la sequer nos olhos, ele disse seriamente:

- Eu deveria pedir que não tocasse nas ferramentas aqui, Mrs.Liddel. Não são todas as pessoas que pensam que sabem, que realmente sabem o que estão fazendo.- seu tom era ríspido e, mesmo que estivessem a sós agora, Victor parecia ainda mais distante.- Principalmente alguém que veio de Broadmoor.

Em seu peito, o coração de Victor congelou. Doeu. Apertou como nunca, mas sua face era impassível, moldada em gesso.
Mas ele sabia que aquilo era para o bem dela. De Alice.
Maldita... Criatura...
Esse era o motivo pelo qual Alice jamais poderia saber sobre aquele monstro.

- Este certamente não é o caso. O caso de assassinato da quinzena trasada não foi estrangulamento. A Gípicia era uma mulher da noite e atendia clientes com tendências masoquistas. A análise que fiz não demonstrou esganamento como óbito, mas asfixia pelo próprio vômito por overdose de morfina.

Ele suspirou.

- Então...- ele fez, erguendo finalmente os olhos para ela, inclinando a cabeça brevemente para trás e a encarando distante.- Devo terminar o meu trabalho ou você já fez isso?


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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Seg Nov 27, 2017 10:07 am

“Principalmente alguém que veio de Broadmoor.”


“Victor?” 

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Enquanto ele discorria sobre como o homem havia sido “realmente morto”, Alice simplesmente o encarou, incrédula. 


Não era ele quem havia dito que ela não era louca? Que fora a primeira e única pessoa quem Alice havia permitido que entrasse dentro do seu mundo, dentro da sua mente, dentro de Wonderland? Por que ele falava como se ela fosse... 


Sua respiração estava difícil, os olhos turvaram de lágrimas. Ela não achou que poderia se machucar mais, quando ouviu sua última frase. 
“Devo terminar o meu trabalho ou você já fez isso?” 
Ela tremia
O chão abaixo dela parecia frágil 
Um movimento
Apenas um 
E ela cairia. 
Olhou para ele com olhos cheios de lágrimas, não conseguiu segurá-las. Rolaram em desespero por suas bochechas. 


Crec


Ela ouviu, e logo ali abaixo de seu olho direito, uma rachadura apareceu. Como se seu rosto fosse feito de porcelana como o rosto de uma boneca chinesa. Ela tremia e seus olhos azuis vertiam lágrimas grandes e cristalinas. 


- Por que...? - havia um no em sua garganta, ela mal conseguia respirar. 


- Por que v-voce...? Por que você fez isso? - ela soluçava e soluçava. Ela deu alguns passos para trás, esbarrando em um carrinho com alguns objetos. Sua visão estava embaçada, mas ela viu o volume de Shelley logo ali. 


Crec


Seu rosto se quebrou mais, assim como seu olho. Ela olhou para Victor, diretamente para ele. 


- C-como você pode... - borboletas empestearam o local, moribundas, perdendo as cores, morrendo. Estavam sobre os cadáveres, sobre os livros, pelas estantes, no chão. M o r r e n d o. 


Ela olhou para as próprias mãos e seus dedos trincaram. Ela sentiu o chão debaixo de si fraquejar. 


E então correu. Correu para a porta, o chão atrás dela caindo para o vazio. As borboletas - agora mariposas - se reergueram, negras, escuras como a noite, e a perseguiram. Ela tentou abrir a porta, mas ela estava trancada. Logo, as mariposas a alcançaram, e, mesmo com medo, as borboletas se colaram a ela, e em seguida se dispersaram, e ela já não estava mais ali. 


Mas ao invés disso, estava caindo. 


D  e  s  l  i  z  a  n  d  o 
Lentamente escorregando
Desbotando
Lentamenfe de
                     sa
                        ban
                             do 
Na escuridão
No vazio
Eu aguento
Na borda 
Uma mão
E s c o r r e g o u 
Eu tento segurar
Mas 
A outra
Também e s c o r r e g o u
Trevas
Consomem lentamente 
Por toda parte, olho a escuridão 
Silêncio.
Um leve riso
Distante 
Mas ele rasteja 
Mais perto
Mais perto
Uma luz se acende 
Estou 
C
A
I
N
D
O
Mais perto 
Mais perto
Mais perto 
Um palhaço aparece 
Está num canto
Tinta preta
Sor                 tro
     ri           nis
          so si 
Maldoso
Minha sanidade
E s c o r r e g a n d o  
Meu apego à realidade
Enfraquecido
Visão 
Escurecendo lentamente
Risadas outra vez
Dessa vez do palhaço
Tínhamos mais em comum 
Do que pensamos 
Eu e o palhaço, você vê?
Olhe pra ele agora
Parece que ele também
E N L O U Q U E C E U. 


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MensagemAssunto: Re: Necrotério    Ter Nov 28, 2017 7:01 am

Já fazia muito tempo que ele estava ali.
Passara a noite inteira com a imagem de Alice na cabeça e também com a grotesca ameaça de seu primogênito e, quando as duas coisas se uniam, tudo o que restava era algo pior que a desgraça total. Ele jamais poderia deixar que tal monstro pusesse as mãos em Alice e, dessa forma, percebeu que jamais poderia se deixar fazer o mesmo. Talvez Victor pudesse suportar viver sem tê-la, mas sabendo que estava viva e bem. Sabendo que ela não seria apenas instrumento de uma vingança fajuta cujo objetivo principal era fazê-lo sofrer.
A decisão que passou a noite inteira para tomar também o faria sofrer. Descobriu que, de uma forma ou de outra, sua Criatura havia sido afortunada. Mas sabia que há uma linha enorme entre a vitória conquistada e a vitória entregue, sendo o segundo algo mais parecido com uma derrota menos ruim, onde todas as expectativas e adrenalina acumulada não têm para onde transbordar, de modo que o que resta no indivíduo é a própria frustração para lidar. Se ele estava no meio de uma guerra onde não se poderia vencer, era esse tipo de vitória que iria dar; algo menos que a bandeira branca, a última afronta que o outro lado jamais conseguiria disputar a menos que fizesse o mesmo, e não faria: um tiro na própria têmpora.
Como acontece nos segundos anteriores de se puxar o gatilho, nada o havia preparado para aquilo. Nem sua própria imaginação de cientista e de poeta, enfeitando o quão ruim aquilo poderia ficar, sequer passou perto.
Enquanto a encarava, Frankenstein tinha a nítida sensação de que restavam mais um ou dois segundos, depois dos quais as coisas nunca mais seriam as mesmas, aquela frouxa percepção de ter visto um trem em sentido contrário, quando se está passando pela ferrovia, quando já é tarde demais para desviar.
A colisão de frente veio no segundo seguinte. E a vítima foi Alice.
Como se, desde o princípio, estivesse mirando na têmpora errada.

Crec!

Diga-me, quanto tempo vai demorar até que você a corte em pedaços?

Crec!

Que transforme sua mais nova cobaia em um mar vivo de dor e sofrimento?

- Alice...

Que a deixe clamando por você quando mais precisar?


- A-Apenas...

CONTEMPLE, FRANKENSTEIN!

Victor virou o rosto, com a sensação de que nunca mais voltaria a ver sua imagem, mas ele virou e não mais  enxergou a menina em sua visão.
Suas mãos trêmulas subiram até sua cabeça, como se a segurassem no lugar, como se tampassem seus arredores, como uma viseira de cavalo, para que ele tentasse enxergar no meio de todas aquelas mariposas e sofrimento a razão que o levara aquilo tudo.

CONTEMPLE... O MAIS NOVO MONSTRO DE SUA CRIAÇÃO!

- ... fique longe de mim.

Tudo o que ele ouviu foram seus passos desesperados e o bater de asas frenético das mariposas. Depois, nada mais além do pulsar acelerado de seu coração. Ele o segurou, pôs a mão sobre o peito como se doesse.

Eu não procuro o que não está aí...


Mas Victor sabia que estava. Porque o sentiu quebrando.
Já fazia muito tempo que ele estava ali.
E agora era a hora de ir.


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