Erydia
Olá viajante!

Seja bem vindo à bela cidade de Erydia. Você acaba de pisar em solo Erydiano, e está a um passo de se tornar um de nós.

Tudo que precisa fazer é se cadastrar, escolher um Clã para se juntar de acordo com a sua personalidade e depois é só se divertir!

Nesse mundo onde a magia e as criaturas fantásticas são reais, emoção, aventura e principalmente fantasia farão parte da sua história. Crie um personagem, faça dele um herói e acima de tudo: Divirta-se!



 
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 Enfermaria

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MensagemAssunto: Enfermaria   Ter Jul 09, 2013 2:46 pm

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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Dom Jul 19, 2015 7:45 pm

- SIm, ela tem... estamos meio que procurando o submundo de Erydia em busca de um poder ancestral. Pra resumir.
+Mordia o lábio inferior.+
- Mas não vai ser fácil... são várias entradas, pelo que parece.


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Dom Jul 19, 2015 8:11 pm

- Várias entradas, hum? Bem... esqueça isso. Eu só quero... - puxou-a para si e abraçou com força. 


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Dom Jul 19, 2015 8:51 pm

- Sim Pelo que dá pra notar, são pelo menos duas, e...
+ela foi impedida de acabar de falar por um abraço dele, e simplesmente calou-se, aproveitando aquela sensação única e relaxante de estar ao lado de Patch. Passou os dedos pela sua nuca, deitando a cabeça em seu ombro.+
- Pensei que iria perder você...


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Jul 20, 2015 6:43 pm

- Eu também. Sinto muito por não ter sido forte o suficiente para mantê-la dona de si.



Ele sorriu e viu quando um grande corvo negro voou pela enfermaria e guinchou antes de pousar próximo a eles. tinha um papel preso à perna, que Patch retirou e leu.



- Zahara precisa de nós na torre.


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Jul 20, 2015 7:30 pm

- Sinto muito por te-lo forçado a fazer aquelas coisas.
+Manteve o abraço, beijando brevemente a bochecha dele.+
Eu te amo, Patch...
+Seus olhos só ergueram-se quando ela viu o corvo negro adrentar o local. Com a resposta de Patch a sua careta de interrogação, levantou-se, estendendo a mão para que ele segurasse.+
- Vamos lá. Você consegue se levantar?


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Jul 20, 2015 7:49 pm

- Claro. Estou bem melhor. Esses caras sabem o que fazem. Vamos.



Antes que saíssem, porém, fez questão de dar um beijo em sua testa e dizer:



- Eu também te amo, Alexis.



Saíram do local em direção à torre.


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Nov 20, 2017 11:40 pm

A noite estava chuvosa do lado de fora, as janelas se encontravam opacas pelo frio, gotas escorrendo para as soleiras como se apostassem uma corrida de qual ficava mais pesada para encharcar a madeira por completo.
Um homem que estava no auge de seus trinta e poucos anos, visivelmente bêbado, mancava para a porta e puxava a tira de sisal para abrí-la, o que não ocorreu. Ele tentou repetidas vezes até se dar conta de que precisava empurrá-la.


-Ah, Erydia... Você gosta de pregar peças no velho Thatch, hein? Da próxima vez eu ponho essa porcaria abaixo... - murmurou de mau humor, entrando no recinto. -Frankenstein! Eu sei que você está aqui! Sinto o cheiro da sua bunda suja desde o cais!


Thatch não poderia falar muito sobre o assunto, o próprio fedia a rum, algas podres e... Bem, um homem que não toma banho há 3 meses. Mal se lembrava da última vez que trocara de roupas. Seu corpo estava recheado de cicatrizes finas e sua barba tinha visíveis pedaços de comida e... sangue?

-Eu fiquei sabendo de umas histórias sobre você, Frankieee - gargalhou, como se fosse a coisa mais engraçada que já tivesse dito. -Está brincando com os mortos agora? Vai ser divertido ver você ser queimado no meio da praça...
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 1:22 am

A ala médica não era lá uma das favoritas de Frankenstein. Embora tivesse sim suas qualificações - que não eram poucas - em medicina, imaginar-se como um enfermeiro ou curandeiro era simplesmente inviável para ele. Seu foco sempre esteve na pesquisa, nos experimentos, na busca. Desde que escolhera se dedicar àquele ramo. Desde que, a princípio, tocara no primeiro livro científico. Desde que sua mãe havia morrido.
E saber o que ele buscava tão ferozmente não era difícil. Era só olhar ao redor naquele lugar.
Enfermos, alguns mais saudáveis, outros mais precários, mas todos à espera de algo; da melhora temporária, efêmera... ou da morte fria e eterna. Tirando as exceções de quando ele era realmente chamado para prestar ajuda, talvez aquele fosse o único motivo que o levava a continuar indo na Enfermaria da cidade. Ver os divididos entre a vida e a morte.
Na verdade, havia outra coisa, mas era esta, por sua vez, que o chamava até ali. Não se tinha hora nem momento, ela apenas acontecia e Victor gostaria de estar ali para ver. A passagem dessa para melhor, o caminho para a eternidade, fosse ela o fim de tudo ou um recomeço.
Naquela noite não havia sido diferente. Ele sabia sobre os rumores de Erydia, sobre as batalhas que aconteciam em seu território ou próximo a ele, e sabia das criaturas que os guerreiros daquele lugar destruíam. Nem sempre os corpos era exatamente dilacerados - bem, não no campo de batalha. Às vezes eles eram levados até aquele lugar, e naquele lugar sim eram desmontados, mas estudados. É claro que a ala dedicada à autopsias era diferente da dedicada aos cuidados com enfermos. Ela era praticamente subterrânea, e era ali que Victor se encontrava.


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- Você acha que a derme desta criatura é igualmente resistente ao calor?- indagou-lhe um velho. Já deveria fazer muito tempo que eles estavam ali. De cabelos grisalhos, as pontas meio despenteadas esvoaçando por entre as orelhas, o rosto pesado e cheio de rugas, vestindo um sobretudo marrom. Este senhor estava logo ao lado do Doutor Frankenstein, e observava com atenção o que o médico fazia.

Suas mãos estavam empapadas de sangue. Por cima de uma grande mesa, livros, ferramentas e frascos de remédios tampados com rolhas eram espalhados aqui e ali. Embora houvessem nichos cheios de ferramentas clínicas, com bolsas de couro e maletas abertas contendo mais objetos perfurantes do que se pode imaginar, seus dedos pinçavam um fino bisturi, que rasgava pele, penetrava músculos e cortava vasos sanguíneos de nada mais nada menos quem um estranho braço humanoide, porém cheio de escamas, à sua frente.

- Rigidez cadavérica, não. Palidez, não. A derme é estranha, parece haver ausência de poros cutâneos écrinos normais e...

"Sinto o cheiro da sua bunda suja desde o cais!"

Houve um momento de silêncio na sala em que ambos, professor e aluno, se entreolharam...
Antes que Victor suspirasse pesadamente.

- É pra você.
- disse o ancião.- Tente não perder a cabeça.

- Se eu ao menos tivesse uma.- disse Victor, ao mesmo tempo que jogava o bisturi sobre a mesa, arrancava do corpo o avental ensaguentado e seguia escadas a cima, com passos rápidos e emburrados.

Ao chegar na enfermaria propriamente dita, avistou logo o homem que chamava toda a atenção para si. A aparência de Victor seria usual, suas roupas sociais com grandes suspensórios, mas dessa vez havia o detalhe que suas mãos estavam sujas de sangue. O médico caminhou em direção ao recém chegado.

- Lucius.- seu tom soou tão direto que foi quase como se o próprio nome fosse um xingamento.- Você ainda fede mais do quê trezentos corpos esquecidos numa vala no verão.

No entanto, ao ouvir os últimos comentários de Thatch, Victor arregalou os olhos por um momento. Aquelas olheiras inchadas e extremamente vermelhas ao redor de seus olhos tornaram suas íris muito exaltadas e tal gesto acompanhou o movimento que sua destra fez, encostando de maneira nada sútil por cima da boca de Lucius.

- Escute, você nunca, nunca repita isso em voz alta, entendeu?! Nunca deveria tê-lo deixado saber disso! Foi um grande erro... Axelsen.

Victor olhou ao redor de maneira coagida logo em seguida, esperando que realmente não tivesse feito cena para ninguém ver. A sorte é que, naquela noite chuvosa, a enfermaria estava calma e quase vazia, pelo menos no que se diz ao corredor de entrada. Ao perceber que não haviam mais olhos em cima de si do que os que eram detestavelmente rodeados por maquiagem negra, Frankenstein soltou Lucius, afastando-se do mesmo e fazendo um esgar, sacudindo brevemente a mão que usara para calá-lo. Aparentemente, embora fosse fissurado por limpeza, ele tinha mais nojo da barba de Lucius do quê do sangue.

- Não me deixe adivinhar o que o traz aqui.
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 1:56 am

O comentário de Victor fez Thatch sorrir de orelha a orelha.

-É o cheiro do mar, velho amigo! Faz três meses que estou velejando, procurando por essa ilha abençoada. - disse a última palavra com desdém -Mas cá estou, e olha, eu tive que arrancar uma unha faz um tempo e achei que você pudesse me ajudar... - ele retirou a bota do pé esquerdo e mostrou a situação. Toda a pele, do calcanhar até os dedos, estava pálida e enrugada com a exposição à água. Suas unhas amareladas não eram aparadas desde... desde a última vez que Lucius as roera. Mas haviam apenas quatro delas, seu dedão era uma bola enrugada e avermelhada com um acúmulo de pus e sangue, obviamente infeccionado. -Dói quando eu ando. - foi a única coisa que comentou antes que Victor cobrisse sua boca com sua mão ensanguentada. 
A ameaça não lhe impactou de forma alguma, mas quando balbuciou aquele nome que Lucius finalmente havia se acostumado a esquecer... tirou todo seu bom humor.
Quando finalmente foi solto, seus lábios, barba e nariz estavam sujos de sangue.

-Pelo amor de Loki, Victor... Me diz que esse sangue não é de nenhum dos seus defuntos...
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 2:55 am

-Não, este é o cheiro impregnado da sua preguiça e prazer mórbido pela falta de higiene.- rebateu Victor, revirando os olhos. 

Lucius conseguia, com extrema facilidade, arrancar seu lado mais competitivo e estressado num piscar de olhos. Tinha sido assim desde a infância conjunta de ambos, afinal.
Victor segurava a ponte do nariz, fechando os olhos brevemente enquanto o outro discorria sobre sua unha. O cientista já premeditara o que estava por vir e, ainda assim, nada o preparara mentalmente. Ele já havia aberto estômagos, pego em vísceras, cuidado de desmembramentos e feito curativos em lugares nada ocasionais, mas os ferimentos de Thatch, pelo simples fato de serem ferimentos dele, faziam com que o Doctor desejasse ter permanecido com os olhos fechados por mais alguns míseros segundos.

- Deus...- a palavra estalou em sua boca graças a seu sotaque britânico acentuadíssimo. O pirata também se mostrava o único a conseguir arrancar aquela palavra dos lábios de Frankenstein, tão conhecido por odiar qualquer tipo de religião.- My, my, esse seus modos...


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O homem suspirou, pesarosamente, olhando as próprias mãos quando Lucius as mencionou. Ele encarou a sujeira que havia feito - ou melhor, adicionado - ao rosto do conhecido e aproximou-se dele.
Perto o suficiente para que suas olheiras vermelhas emoldurassem suas íris claras, tornando-as de certa forma desafiadoras, ao mesmo tempo que, internamente, Frankenstein não arredados um passo mesmo que o bafo daquela distância fosse nauseabundo.

- Eu não vou me chatear explicando a você coisas as quais não entenderia. Agora... se você quer mesmo que eu dê um jeito nisso, diga-me, Axelsen: o que você trouxe pra mim?
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 3:39 am

-Ora, Frankie... Eu sei que você adora meu cheiro natural... - soltou um riso abafado pelo nariz. Lucius adorava brincar com o cientista, ou melhor, tirá-lo do sério. Apesar de tanto tempo sem se verem, as reações e humor de ambos não mudavam. Eles sempre tiveram esse temperamento, desde os sete anos -Você vai me ajudar, não vai? - fez um beicinho debochado. -Eu trouxe um souvenir... - cantarolou, sentando-se em uma das cadeiras dos enfermos e movendo a alça de sua bolsa de couro do pescoço, abrindo-a e lhe entregando um pacote coberto por um tecido branco e linhas de cipó - que estava seco, de alguma forma. -  pouco maior que a palma de Thatch.

-Trago o que você pediu, é claro. Perdi dois homens pra conseguir isso, Victor. É bom que valha a pena. - disse um pouco mais baixo, olhando em volta. -Você sabe quem disse que funcionaria a partir de correntes elétricas, seja lá o que isso signifique. Ele mandou meus homens encherem o Happy Delivery de fios de cobre pra você usar nisso. Eu sei que não parece grande coisa, mas ele disse que inventou isso por meses... Ele disse... - Lucius se certificou de que não havia ninguém ouvindo-o e trouxe o amigo para mais perto. -...que conseguiu reviver uma galinha decapitada. E ela sobreviveu dois das inteiros até morrer de fome.
Happy Delivery:
 
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 7:49 pm

Victor preferiu poupar-se a responder os primeiros comentários, suspirando pesarosamente enquanto a risada do outro repercutia em seus ouvidos.
Focou-se quando Lucius cantarolou, no entanto, acompanhando com os olhos cada gesto seu até que ele fitasse o embrulho que este lhe estendeu.
Victor pegou tal comissão com certa urgência, mais uma vez olhando ao redor para ter certeza de que ninguém o vira aceitando coisas suspeitas de um... pirata.
O Doutor Frankenstein já não era conhecido por ter muitos amigos e o que ele menos desejava era dar mais motivos para que este aspecto se agravasse.

- Dois homens?- ele indagou, embora aquilo não necessitasse de resposta. Pareceu pensativo por um momento. Poderia-se imaginar que o Doctor tivesse algum peso nas costas, afinal, eram a vida de dois homens... mas ele demonstrou-se devidamente mais preocupado no assunto seguinte, deixando que o anúncio da morte dos companheiros de Lucius passasse batido.- Fios de cobre... uma bobina de alta tensão, se os misturarmos com os do Laboratório. Mas de onde vamos retirar tanta energia, eu imagino, é a questão... - pensou alto, mas ainda em sussurros.

Victor encarou o homem, franzindo o cenho. A notícia sobre a galinha havia deixado-o no mínimo meditativo. Ele estalou a língua, dizendo no forte sotaque britânico:

- Ou este homem consegue se perder no próprio raciocínio ou você é ingênuo demais acreditando em suas fábulas. Como pode uma galinha sem cabeça sobreviver, Lucius? O cérebro é essencial para a vida. O que aconteceu não deve ter sido mais que eletroquímica.- o doutor falava com um certo tom de superioridade, ao mesmo tempo que havia posto o pacote sobre uma cama logo ao lado do assento que estava o pirata para que pudesse, então, ir lavar suas mãos.

Havia uma grande bacia cheia d'água logo ali perto, e Victor mergulhou as mãos dentro, esfregando-as com força, cada mínimo centímetro por entre seus dedos e as costas de sua mão. Ele mergulhou-as novamente em outra bacia, esta que continha um líquido muito semelhante a sangue, mas este era mais alaranjado que vermelho e tinha um cheiro forte que lembrava álcool, mas não era. Era Éter Etílico. Uma mistura do álcool submetido ao ácido sulfúrico. Apesar do cheiro extremamente forte de químico, aquilo limpou suas mãos extremamente bem. Ele enxugou-as num trapo limpo antes de, finalmente, voltar-se para Lucius, sem mais nenhum rastro de sangue por debaixo de suas unhas.

- Tome. Limpe ao menos sua face.- ele disse, entregando o pano para o "amigo"(embora tivessem uma relação deveras próxima, Victor tinha uma séria dificuldade de chamá-lo assim).- Enfim, como eu estava dizendo... eletroquímica. Veja, Luigi Galvani descobriu-a sem querer quando, fazendo experimentos com pernas de rãs ao mesmo tempo que realizava outros com energia estática, ele acabou por energizar o bisturi utilizado que, quando tocou o músculo das pernas do animal, elas se moveram e muito bem. É o fenômeno do Galvanismo. A água dos fluídos das rãs possuem sais, e esses sais possuem íons. Íons conduzem corrente elétrica. E os músculos funcionam a base disso. Sabe a sensação de bater o cotovelo na quina de uma mesa? Exatamente. Isso, em grande quantidade e por todo o corpo, foi o que manteve esta tal galinha viva... se é que isso aconteceu.

Victor suspirou, sentando-se sobre a cama, logo ao lado de seu embrulho, que ele pôs no colo, prestes a abri-lo, mas antes fitou o pirata mais uma vez.
Intensamente.
As olheiras ao redor dos olhos de Frankenstein, suas íris quase saltitavam de tão cintilantes, e elas encaravam Thatch como se vissem o fundo de sua alma.

- Eu não quero isso, Lucius. Eu quero um ser pensante. Capaz. Não um monte de carne e ossos movidos por... impulsos.
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Ter Nov 21, 2017 9:48 pm

Os dois tripulantes de Thatch não foram uma perda considerável, eram apenas dois pivetes que queria brincar no mar. Mereceram morrer de sede.
É claro que aquilo não seria comentado para Frankenstein, fazer com que ele pensasse que ambos morreram em função daquela... - Como o médico a chamou? Bombina? - Parecia muito mais dramático e o faria ganhar talvez um tratamento especial


A explicação de Victor sobre o motivo da galinha decapitada voltar à vida serviu apenas para ser ignorada petulantemente por Lucius, que estava agarrando o tornozelo do pé infeccionado e cheirando sua ferida, fazendo uma careta. Quando lhe foi dado o trapo para limpar o rosto, o pirata pensou um pouco, ainda analisando seu dedo pustulento. Em sua mente ainda enevoada pelo álcool, a ideia a seguir era genial. Ele escarrou e encheu as bochechas com saliva, cuspindo no pano e cobrindo o dedão com ele. O fluido era morno, o que ajudou um poco com a dor. Depois daquilo, levantou a cabeça para o cientista e suspirou.

-Tô com sede. - murmurou com um olhar sonolento.



A frase e o olhar dramático de Victor fez Thatch sorrir de canto.

-Então eu nunca serei uma das suas invenções. Aegir seja louvado. - riu com rouquidão, encostando-se na cadeira. -Por que o quarto está girando...?
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Qua Nov 22, 2017 12:00 am

Victor revirou os olhos. Ele mesmo havia dito minutos atrás que não se chatearia explicando coisas as quais Lucius não entenderia, mas ali estava ele, empolgado em um sermão sobre eletroquímica.
Às vezes até mesmo Frankenstein esquecia que o destino os havia separado. Desde a infância, Victor escolhera os livros e a faculdade... já Lucius, bem, ele gostava do que estava fazendo, afinal de contas. Era só olhar o prazer eminente em conseguir irritar Frankenstein tão bem.
Até onde sabia, Victor não tinha exatamente do que reclamar. Ele havia arrumado um jeito até para que as viagens saqueadoras de Lucius lhe fossem úteis. Muito úteis. Suas criações, suas experiências...
Ah... na realidade, havia sim uma coisa para reclamar.
A exigência de Thatch.
Pedir por tratamentos especiais em troca de objetos valiosos era golpe baixo.

- Não sei porque ainda continuo fingindo que você estudou um básico que seja.- ele disse, diante do "tô com sede" que foi a grande resposta para todo o seu discurso científico.- Oh, ainda bem que você sabe.- respondeu sobre o comentário de Lucius sobre ele nunca ser uma das criações do doutor.- Está girando porque você está bêbado, como sempre, you ridiculous man.

Ele bufou, observando todo o show grotesco que o pirata dava ao trabalho de prestar-se com o pano, e Victor ergueu-se, aquela visão tomando sua última gota de paciência, guardando o pacote no bolso e afrontando o outro homem com o olhar.

- Pois bem, eu deveria começar a tirar seus carrapatos para que você vá embora, não?


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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Qua Nov 22, 2017 12:34 am

O passado de Lucius e Victor não era sombrio ou cheio de altos e baixos. Ambos sempre foram opostos, mas de alguma forma conseguiram transformar aquilo numa amizade duvidosa. Estudaram juntos até Lucius largar a escola em seus últimos anos de graduação e se voltar ao que chamava de pirataria terrestre. No começo era um passatempo, roubando migalhas e lixo alheio para correr de cães ou proprietários putos com o mesmo moleque arruaceiro, até que se envolveu com tráfico e saques. O resultado de tudo aquilo foi sua fuga da Inglaterra no primeiro navio que teve a chance de entrar.
Mas nem todos aqueles acontecimentos lhe impediram de mandar cartas para Frankenstein, além de alguns favores. Victor não era nenhum santo.


-Eu nunca fui um aluno exemplar como você, Frankie... Não me peça para lembrar de qualquer aula que não fosse com aquela gostosa da Sra Nicolett. - suspirou -Prostitutas francesas são... deslumbrantes, como você diria... - zombou do sotaque carregado do cientista, algo que havia abandonado após estar em tantos lugares. Thatch não era bom com química ou física teórica, mas falava diversas línguas. Línguas que Victor não sonhava em conhecer. Ponto para o pirata bêbado.


Quando Frankenstein constatou o óbvio ao dizer que o pirata estava fora de si, Lucius riu com bom humor, coçando sua barba encardida.

-Eu com meu rum, você com sua amada morfina. Não tente me dar sermões, mate. Você é tão podre quanto eu. A diferença é que você tem roupas mais bonitas. - apontou com o queixo para os sapatos caros que o médico usava. -Tire todos os meus carrapatos, doutor. Tenho algumas feridas abertas pra você costurar também. - fez uma pose feminina que estava longe de ser sensual naquele estado. -É esse o seu fetiche?
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Qua Nov 22, 2017 1:04 am

(“Eu com meu rum, você com sua amada morfina. Não tente me dar sermões, mate. Você é tão podre quanto eu. A diferença é que você tem roupas mais bonitas.” Caralho mermão!! Kekekekekekke) 


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“Que ideia! Uma maluca, insana e maravilhosa ideia!” 
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Qua Nov 22, 2017 8:43 pm

[ PISA MAIS QUE EU GOSTO DO DRAMA]

Victor não era um santo.
Bem, tirando a complexa e esquisita castidade, o cientista-nem-tão-louco-assim definitivamente tinha seus podres. E não eram poucos.
O quão herege era aquilo que estava tentando fazer? O quão profano era aquilo que fora feito anos atrás e abandonado por suas falhas? A cisão que separava Victor de qualquer tipo de dogma sagrado poderia ser capaz de dá-lo motivos, mas era incapaz de fazê-lo menos hipócrita.
O fato é que houve um momento em que o oposto entre Thatch e Frankenstein se tornara tão contrastante que, em algum ponto entre seus sarcasmos, se mesclaram.
Victor poderia não feder, não usar maltrapilhos sujos pela areia da praia e o sal do mar, não transbordar anarquia. Não, sua própria depravação não se externava. Mas, por dentro, Victor era tão sujo quanto as unhas do homem a sua frente.

- Eu jamais diria tal coisa sobre... tal coisa.- ele disse entredentes quando o outro provocara seu sotaque. Victor provavelmente teria uma resposta mais ácida na ponta da língua, mas ele sempre ficava encabulado quando o assunto envolvia termos sexuais, principalmente pejorativos daquela forma. E é claro que Thatch sabia desse seu pequeno probleminha.

No entanto, quando Lucius mencionou a morfina, a destra de Victor instintivamente subiu por seu braço até parar na dobra de seu cotovelo. Debaixo da camisa de mangas compridas estrategicamente erguidas o suficiente para que ele não as sujasse com o sangue das autópsias, mas não enrolada o bastante para que os furos túrgidos de agulhas em sua pele se fizessem à mostra. Ele olhou ao redor, mais uma vez, certificando-se de que não havia mais ninguém para escutar as palavras de Lucius. O semblante de Victor fervia, era uma das únicas vezes que aquele rosto extremante pálido ganhava o aspecto de sangue quente por sua superfície. Uma veia saltitou em seu pescoço e testa ao mesmo tempo que ele semicerrou às vistas para o pirata.

- Você acha que sou igual a você?- seu cinismo era quase palpável. Todo o humor frio, distante e respostas sarcásticas que Victor tanto deixava escapar, ele os direcionou para Thatch.- Quando estávamos na escola, sonhávamos, você lembra, de entrarmos para a história. Fazermos parte dela com algum fornecimento glorioso. E todos aqueles que nos odiaram e riram de nós, eles seriam silenciados, enquanto nós, heróis, conquistaríamos o mundo e derrubaríamos a morte. Pois bem, Lucius, eu conquistei a morte. E criei monstros. Ainda assim, nada mais que o homem que está sentado na minha frente. Mas tenha em mente uma coisa, pirata:

Ele se aproximou, inclinando-se para frente para que apoiasse ambas as mãos nos braços da cadeira que Lucius sentava-se, e o rosto de Victor ficou à mesma altura que o dele.

- É muito fácil ser podre, ser um monstro. Ao menos devia tentar ser humano.- seu tom de voz era mórbido e o doutor encarava o outro sem sequer piscar. No entanto, ele logo se afastou, olhando para os próprios sapatos que também haviam sido fitados por Lucius.- E esses foram um presente. Você deveria saber que não tenho mais o salário que ganhava na Inglaterra.

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O doutor dirigiu-se até uma mesa próxima, onde ele pegou uma bandeja de metal com algumas ferramentas quase cirúrgicas dentro. Só então, aproximando-se do pirata novamente, ele lentamente ajoelhou-se no chão, retirando as bugigangas de dentro da bandeja e a pondo logo à sua frente.

- Não possuo isso, mas acho que é o seu ser costurado pelas minhas mãos, ou estou errado?- ele soergueu a sobrancelha de maneira provocativa, mas fez um gesto para que Lucius pusesse o pé sobre a bandeja.
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Qui Nov 23, 2017 1:22 am

Era quase engraçado lembrar da época escolar.
Os jovens Lucius e Victor não poderiam se considerar uma dupla, mas um sempre fazia pequenos sacrifícios para o outro quando a situação apertava. Se fossem mais unidos seriam o par perfeito: Lucius eram os músculos e confusão enquanto Victor era o cérebro e a lábia. Quando ambos se metiam em brigas quem sempre lidava com a situação era o futuro pirata. Frankenstein tinha mais influência com os de mais alta patente, como professores e até a polícia. É claro que no fim, era Lucius quem desfilava com um olho roxo. Mas aquilo nunca foi um motivo para reclamar.


Thatch percebeu a nem um pouco sutil menção às pequenas cicatrizes do outro, sorrindo triunfantemente. Aqueles joguinhos eram sua parte preferida de estar com o cientista.


"Você acha que sou igual a você?" . Diante daquela indagação, o pirata concordou internamente como uma criança irritante. Não importava o que Frankenstein dissesse para fazer a si próprio acreditar que estava adiante de seu rival, ambos estavam no mesmo ponto de caminhos diferentes. Tentar ultrapassar um ao outro era a parte mais divertida, quase uma regra desde... sempre.

-Ah, Victor... - suspirou, quase como se estivesse decepcionado. -Você não percebe? Ser humano significa ser um monstro. Nossa podridão é uma sina, você deveria saber melhor que qualquer um. Tentar fingir que não somos podres é esconder o mais humano que temos, é como tentar velejar contra a maré. E você sabe o que acontece quando alguém tenta impedir uma força da natureza. Eu sou um pirata, amigo. E eu velejo a favor da maré.

Dito isso, apoiou o pé doente na bandeja. O simples ato espalhou sujeira e um pouco de areia no metal, que se misturava com o pus que começou a escorrer de seu dedão, criando uma pequena poça em volta dos contornos do mesmo. 

-Ah, acho que não comentei. - limpou a garganta, sentindo o ferimento latejar. -Você ainda tem aquela empregada da última vez? Rosemarie, acho que era esse seu nome. Ela faz massagens tão bem quanto transa. Já experimentou fazer na banheira? - fez uma pequena pausa após aquela pergunta, fingindo não querer tido tocado no assunto. -Oh, quase me esqueci que você ainda é... puro. - gargalhou, lançando a cabeça para trás. Zombar da tal "pureza" do médico sempre que tivesse a mínima chance era um de seus passatempos. Ou talvez seria... uma espécie de proposta?


Última edição por Lucius Thatch em Dom Nov 26, 2017 9:45 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Sex Nov 24, 2017 11:33 am

Frankenstein perdera a conta de quantas vezes sua pele alva havia sido salva por Lucius. Victor nunca havia sido o aluno preferido da escola, tendo em vista que, muito embora os professores nutrissem, como previsto, extrema consideração pelo estudante mais esforçado da turma, seus colegas costumavam manter-se longe dele: fosse por inveja ou simplesmente porque aquele menino era um completo esquisitão. No entanto, a sanha adolescente sempre chega para todos e essa parte em especial fora sobrevivida graças ao amparo de Thatch, seus punhos e sua conduta desordeira. É claro que o pirata nunca trabalhara de graça e, no fim de tudo, havia sempre uma nova lição de casa para Victor, que geralmente incluía fazer o "amigo" passar de ano ou livrá-lo de ter a ficha suja.
Essa última parte sempre fora um trabalho árduo. Thatch era difícil de limpar.
Irônico era estar limpando-o, literalmente, agora, e saber que ele se sujaria depois apenas para voltar a dar trabalho era um aspecto que fazia os nervos de Frankenstein colapsarem em raiva.
Victor nunca tivera um grupinho social ou amigos. Nem mesmo sua família estava mais presente. Ele tivera Lucius. O doutor era frio o bastante para esconder, mas não para negar que a co-relação de trocas, de oferta e demanda, no fim não se resumia a apenas isso.
Se fosse apenas isso seria muito mais fácil simplesmente ignorá-lo.

- Você está errado.- Victor disse, simplesmente, olhando Lucius diretamente, mesmo que estivesse abaixado diante dele.- Eu vi monstros o suficiente para distingui-los de humanos. Eu desertei da minha antiga vida para que pudesse sobreviver contra um monstro e você me diz que eu também sou um?- ele inclinou a cabeça, o olhar ainda fixo no outro, as íris azuis parecendo queimar em chamas.- Você acha que você é um, Lucius? Que conhece a podridão, que andou sobre corpos? Pois espalhe-os daqui até o horizonte e verá que o verdadeiro monstro terá andado muito mais. 

Victor desviou o olhar, contendo um suspiro, tentando voltar o foco para ater-se aos materiais que havia pego.

- Você não tem que me lembrar das minhas sinas, apenas não esqueça da sua. 


Suas falas soavam, como na maioria das vezes, agressivamente poéticas.
É claro que Lucius não deveria ter esquecido o quanto aquele doutor era fissurado em poesias. E ele tinha a alma de um escritor, com certeza.



Soergueu ambas as sobrancelhas numa expressão obstante quando o pé do pirata foi devidamente posicionado. Victor manteve-se em silêncio, os lábios previamente comprimidos no rosto macilento. Tinha de admitir, mesmo sendo um bom cirurgião, poucas coisas conseguiam ser mais repulsivas que o desfortúnio à sua frente. Ele não hesitou, contudo, pois seu estômago era mais do quê forte para aquele tipo de coisa. O que estava incomodando-o não era o grau de nojeira da ferida, mas o problema de sempre: o fato de que era Lucius. E que estava ajoelhado diante dele, afinal.

- Você poderia parar de falar sobre copular com metade das mulheres da cidade ou vamos esperar o assunto chegar nas suas doenças venéreas?- ele indagou no meio da fala do outro, impaciente, sabendo que o viajante apenas insistia em tais assuntos para provocá-lo - e conseguia, pois Victor não podia evitar.
Assim como não pôde evitar lembrar do dia em que a tal Rosemarie fizera uma faxina inversa na sua banheira... com Lucius, é claro. 

A resposta para aquilo foi simples: o frasco que Frankenstein segurava em mãos, ele destampou-o e virou-o sem aviso prévio. O líquido que atingiu a unha de Thatch queimou, como se corroesse sua pele à carne viva, a dor era lancinante. O pus que escapava da ferida borbulhou brevemente assim como o sangue até que ambos se desconcentraram, liquefeitos, da superfície da unha.
Depois de tudo, Victor agarrou um pedaço de algodão, pronto para começar a limpeza - já metade feita - do machucado.
Uma pequena vingança sempre deixava um gosto bom na boca.
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Dom Nov 26, 2017 10:29 am

-Pro inferno com suas tentativas de parecer alguém com o mínimo de escrúpulos, doutor. - rosnou aquela última palavra com certo nojo. -Eu não preciso julgá-lo. Você sabe muito bem o que fez, seja para o "bem" da sua maldita ciência ou não. Você usa pessoas. Pessoas mortas. Que não tem qualquer tipo de escolha. Não venha me dizer para não esquecer minhas sinas, eu as entendo melhor do que você jamais irá. Eu matei gente de todos os tipos, Aegir me perdoe se alguma criança estiver nessa lista. Deixei meus camaradas perecerem por vontade própria para que eu continuasse vivo. Mas nem tudo isso foi o pior que já fiz. - pausou por um momento, a garganta ficando seca. Seus olhos verdes - que sempre eram confundidos com outras cores por parecerem sujos - encaravam os azuis de Victor com uma porção de amargura. -O pior que eu fiz, e tenho feito... foi ajudar você com sua insanidade. Estou tão afundado nas suas merdas quanto você. Obrigado, Victor. - murmurou finalmente, respirando fundo.

-Doenças venéreas? Você acha que eu não me precavenho sobre isso, ye jelly boned thumb suckin' crud bucket! - pela primeira vez em muito tempo, Thatch se mostrou ofendido. Mas é claro que tinha que fazer com que soasse cômico de alguma forma. -Eu tenho um estoque de tripa de peixe nos meus aposen-- HOLY SHIT! - exclamou, seus músculos se contraíram de forma brusca, os ombros tocando as orelhas com a dor lascinante que o líquido lhe causou. Seus grunhidos e gemidos de dor eram acompanhados dos movimentos agonizantes que suas mãos e dedos faziam. Ele agarrou os ombros de Frankenstein, os olhos fechados com força.


E ficou assim por pouco mais de um minuto antes de relaxar e deitar as costas na cadeira.

-Isso foi divertido. - disse, seus dentes juntos com força em um sorriso forçado para disfarçar a dor.


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Última edição por Lucius Thatch em Seg Nov 27, 2017 8:05 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Nov 27, 2017 5:50 am

- Você pode parar- rosnou Victor de volta, no meio da fala do outro assim que ele mencionara "pessoas mortas", apertando o joelho de Lucius no processo.- de falar sobre isso em voz alta?!

"O pior que eu fiz e tenho feito... foi ajudar você sua insanidade."


Frankenstein o encarou longamente a seguir. Foi como se ele quisesse dizer alguma coisa, mas seus lábios apenas se comprimiram, mastigando e engolindo um ressentimento. E Victor manteve-se em silêncio, paralisado, fitando o amigo com um aspecto amargo, antes de baixar o olhar. Foi o silêncio, mais do quê a queixa, que demonstrou o quanto ele se sentia tóxico. No fim, talvez ele engolisse qualquer resposta, porque simplesmente não havia uma. Naquela discussão, Lucius precisou descer, afundar o suficiente como uma âncora para que atingisse um ponto em Victor que ele não podia revidar.
Ponto para o pirata bêbado... ou não?


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- Não é a marca de todos os piratas?- ele ironizou. Para aquilo tinha uma resposta.- Você não pode botar medo o suficiente se não tiver sífilis ou algo parecido. Entre ser contaminado por um bando de soros positivos e andar pela prancha, qual você acha que escolheriam? A primeira opção parece cruel demais competir com uma simples morte por tubarões ou afogamento.- seu sarcasmo era quase palpável.


Quando Lucius agarrara seus ombros, Victor manteve-se imóvel, resmungando um "fique quieto, ora!" antes de revirar os olhos ao ver o "sorriso" de Thatch.

- Tenho certeza que está amando cada segundo disso. Agora, quieto.- ordenou, quando limpou o ferimento com algodão e mais algodão até que a unha, antes um poço de pus e sangue, estivesse completamente seca. Victor aplicou uma pomada sobre a ferida, antes de começar a enfaixar a ferida.- Está feito, Lucius. Algo mais?- ele indagou sem muita vontade, erguendo-se do chão e levando a bandeja com as ferramentas consigo para em seguida colocá-las num grande recipiente que se assemelhava muito a um lixeiro, mas era para que as bandejas fossem devidamente asseadas mais tarde.
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MensagemAssunto: Re: Enfermaria   Seg Nov 27, 2017 8:52 am

-Meus métodos de tortura com delitos de meus tripulantes são tão ruins quanto qualquer uma dessas doenças. O Capitão Thatch sabe como mostrar clemência. O Capitão Thatch sabe o que acontece no navio. O Capitão Thatch sabe. - murmurou aquelas palavras como um mantra. Era aquilo que seu imediato, Hector, mandava os raros tripulantes - que ousavam fazer algo digno de no mínimo vinte chicotadas - cantarem noite e dia até que ficassem roucos. Depois disso, um bom e velho gargarejo com água do mar. -Você é só um marujo, Vickie. Tubarões detestam carne humana. São uns malditos, pegam um pedaço para experimentar e quando não gostam, cospem fora. Como um pai que negligencia seus filhos quando têm que enfrentar qualquer tipo de problema. - aquela não era a melhor comparação que tinha. Talvez fosse apenas mais um de seus devaneios por conta do álcool em seu sangue. 




Quando seu dedo estava finalmente enfaixado, ele sorriu. A tal pomada com certeza tinha algum tipo de anestésico, pois a dor ao poucos foi sumindo. Ele se espreguiçou e levantou da cadeira, olhando para Frankenstein.




-Certo, eu adoro nossas pequenas seções juntos, doutor. Quando podemos ir para casa? - era óbvio que Lucius estava falando do quarto de hotel de Victor. -Tem uma empregada e uma banheira me esperando.
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